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Suplementação de Novilhos Nelore em Pastejo de Brachiaria Brizantha

01/10/2017

Terminação de bovinos é caracterizada pela elevação da deposição da gordura corporal e, conseqüentemente, pelo aumento na exigência energética (NRC,1996). Dessa forma, um aporte basicamente protéico não oferece condições necessárias para obtenção de elevado desempenho produtivo, em animais, neste estado fisiológico.
 
Assim, é destacada a necessidade de inclusão de fontes energéticas da dieta de animais em terminação. Estas fontes suplementares baseiam-se principalmente em grãos de cereais e oleaginosas, os quais apresentam elevada quantidade de carboidratos não estruturais etriglicerídeos, respectivamente. As variações entre as fontes energéticas relacionam-se com o substrato, tipo e local de digestão.
 
Diversas fontes energéticas são fermentadas no rúmen com a produção de diferentes ácidos graxos voláteis. Por outro lado, existem ainda fontes energéticas que escapam da fermentação ruminal e sofrem processo de digestão química semelhante ao ocorrido com animais não ruminantes.

Diante destes fatos, observaram-se diferentes vias metabólicas com o mesmo objetivo final, que é o suprimento energético líquido. Entre os carboidratos não estruturais, o amido caracteriza-se como a principal fonte de suplementação. A degradação ruminal do amido é, na sua maior porção, executada pelas bactérias amilolíticas, sendo em menor escala hidrolisado por fungos e protozoários (Huntington, 1997).

Além do amido, os lipídeos são fornecidos como fontes suplementares, já que são componentes principais de oleaginosas de ampla utilização na dieta de ruminantes. As fontes de lipídeos que tem se destacam na alimentação de ruminantes são, principalmente, semente de soja, algodão e canola. Segundo Van Soest (1994), a utilização de ácidos graxos pelas bactérias ruminais é restrita.

O excessode ácidos graxos insaturados e triglicerídeos pode causar alteração na fermentação ruminal, devida à supressão das atividades de bactérias celulolíticas emetanogênicas, geralmente, gram positivas. O mesmo efeito não é observado quando se utilizam fontes saturadas. Informações semelhantes são descritas por Villela et al. (1997) e Zinn & Pascencia (1997). O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito dos diferentes níveis (0,7 e 1,4% PV) e fontes de suprimento energético (amido e óleo), bem como sua mistura sobre desempenho de novilhos nelore em pastejo de capim B.brizantha (hoecht) Staf cv.Marandu, em fase de terminação.

Resultados e Discussão

Foram registradas diferenças entre os suplementos fornecidos (P<0,05), níveis de suplementação e períodos(P<0,01). Não foi observada diferença para as interações. Os dados de peso vivo inicial, consumo diário do suplemento e desempenho animal são apresentados na Tabela 4. Para o menor nível de suplementação, 0,7% dopeso vivo (0,7% PV), os animais que receberam o suplemento amido óleo (A) apresentaram ganho de peso vivo médio diário (GMD) de 572,5g, sendo assim superior em relação àqueles que receberam os suplementos à base de amido (AMI) de 457,3 g ou deóleo (OLE) de 437,5 g, os quais não deferiram entre si. O mesmo comportamento foi observado para o nível de suplementação de 1,4% PV. O ganho médio diário dos animais que receberam a suplementação com A foi de 716,5 g/anim./dia que diferiu daqueles que receberam o suplemento com AMI (575,9 g) ou com OLE (611,2 g), os quais não diferiram entre si.

Nota-se que, em ambos os níveis de suplementação (0,7 e 1,4% PV), a mistura de alimentos milho caroço de algodão (A), ou melhor a mistura dos nutrientes amido óleo proporcionou maior desempenho dos animais. Evidenciou-se, diante desta característica, o efeito associativo positivo entre os alimentos. Segundo Hucket al. (1998), este efeito se caracteriza quando o desempenho animal é superior aquele predito baseado nas médias dos grãos fornecidos separadamente. Os possíveis mecanismos para ação do efeito associativo referem-se à melhor dinâmica de degradação ruminal, bem como de absorção intestinal, quando ocorre a utilização da mistura de alimentos.

Observa-se que os ganhos médios registrados no experimento são menores que os apresentados na literatura para período, nível de suplementação e características de suplementos semelhantes. Ressalta-seque o GMD para todo período experimental foi de 489,1 e 634,5 g para 0,7 e 1,4% do PV, respectivamente para os suplementos que continham em média 21% de PB e 72% de NDT. A variação de desempenho quando adotada a suplementação em pastejo na época seca é elevada. Como destacado por Alberto (1997), o desempenho com suplementação em pastejo é determinado pela interação de uma gama de fatores.

Desta forma, diferenças registradas entre os trabalhos podem estar ligados aos parâmetros relacionados às interações forragem:suplemento:animal, as quais são caracterizadas individualmente a cada experimento. Apesar da literatura apontar maiores ganhos que os obtidos no presente trabalho, Thiago (1999) descreveu que um suplemento de, aproximadamente,
20% de PB e 80% de NDT e nível de suplementação de 0,8 a 1% do PV e boa disponibilidade de forragem permite um ganho aproximado de 500g.

Esta informação admite o ganho médio diário (GMD) obtido no experimento dentro da faixa esperada. Por outro lado, o pequeno diferencial de 145g registrado entre as médias de GMD obtidas para os níveis de fornecimento de 0,7 e 1,4% do PV são relativamente baixos, apontando possíveis efeitos negativos relacionados ao elevado nível de suplementação. Os impactos negativos da sobrecarga ruminal do amido, quando fornecido em maiores quantidades na ração, referem-se principalmente a reduções de pHe conseqüente digestibilidade da forragem, já que as bactérias celulolíticas são sensíveis à queda de pH(Caton & Dhuyvetter, 1997).

A elevação de carboidratos não estruturais da dieta fornece maior aporte de substrato para os microrganismos produtores de propionato. Ocorre maior produção total de ácidos graxos voláteis (AGV), bem como a maior produção individual de lactato e conseqüente quedano pH ruminal (Russel, 1998). Este acúmulo de ácidos no rúmen pode causar danos ao epitélio dorúmen e inibir a atividade dos microrganis moscelulolíticos (Orskov et al., 1971, citados por Zeoula& Caldas Neto, 2001) e induzir reduções na ingestão da forragem e na ingestão total de matéria seca (Grant,1994) pela redução na digestibilidade da fibra. Além do aspecto da redução do pH, outro fator que pode ter influenciado nos resultados é a elevação do fluxo intestinal do amido, quando grandes quantidades são fornecidas (Zeoula & Caldas Neto, 2001).

Segundo revisão realizada por estes autores, o aumento no fluxo intestinal de amido é inversamente relacionado com sua digestão. Owens et al. (1986) enumeraram os seguintes fatores como os possíveis responsáveis pelas limitações da digestão do amido no intestino delgado: 1)limitação da amilase, maltase ou isomaltase, devido à inadequada produção, presença de enzimas inibidoras ou as variações do pH intestinal; 2) limitada capacidade de absorção de glicose pelo intestino delgado; 3) tempo insuficiente para a completa hidrólise e 4)inadequado acesso das enzimas ao grânulo de amido. Segundo Harmon (1993), a concentração de amilase pancreática é aumentada com a elevação do nível energético da dieta, mas não com a elevação na ingestão de carboidratos. Huntington (1997) descreve que o aumento do fluxo de proteína para o intestino delgado acarreta um aumento na síntese de amilase pancreática e conseqüente elevação naeficiência de utilização intestinal do amido. O maior aporte protéico no intestino pode ser resultante da utilização de fontes de proteína de baixa de gradabilidade ruminal ou pela elevação na produção de proteína microbiana.
 
Fonte: Antônio Chaker
 
Fonte: Antônio Chaker

Esta , por sua vez, depende da sincronização da degradabilidade ruminal entre as fontes de proteína e amido. O limite superior relatado para a ótima digestão do amido no intestino para animais em crescimento éde 480 a 960 g/dia (Kreikemeier, 1991). Se considerar que o suplemento rico em amido (AMI) contém 57%de amido (Tabela 2), que 30% do amido do milhões capa da fermentação ruminal (Coelho da Silva &Leão, 1979) e que praticamente todo amido presente no suplemento AMI foi oriundo do milho (78% de milho na composição), pode-se inferir que o fluxo de amido para o intestino foi da ordem de 479 e 975g/dia para os níveis de 0,7 e 1,4% do PV, respectivamente.

Portanto, para o maior nível de suplementação, verifica-se que o fluxo de amido estaria no limite superior de 960 g/dia. Se a suplementação de 1,4% do PV causou eventuais problemas metabólicos gerados pela sobrecarga ruminal do amido, pode ter afetado a síntese de proteína microbiana e, conseqüentemente, a produção de a-amilase pancreática, limitando o aproveitamento intestinal do amido. Não apenas o excesso de carboidratos não estruturais, mas também os lipídeos podem alterar a fermentação ruminal. Segundo Valadares Filho (2000), em geral, os efeitos da adição de lipídeos sobre a fermentação ruminal parecem depender da quantidade e da fonte dos mesmos. Os lipídeos insaturados e os ácidos graxos de cadeia curta apresentam mais efeitos do que os saturados e os ácidos graxos de cadeia longa, enquanto os sabões de cálcio apresentam mínimos efeitos sobre a fermentação ruminal.

A digestão no rúmen dos carboidratos estruturais é reduzida pela adição de lipídeos às dietas e o grau de redução depende das fontes de fibra e de lipídeos, enquanto que a fermentação ruminal do amido é menos, ou não é influenciada pela adição de lipídeos(Galyean & Owens, 1991). O efeito negativo da utilização de gordura também é descrito por Van Soest (1994), destacando que a utilização de ácidos graxos pelas bactérias ruminais é restrita.

Neste caso, o excesso de ácidos graxos insaturados e triglicerídeos pode causar a supressão das bactérias celulolíticas e metanogênicas. Maczulacet al. (1981) descreveram que este efeito é devido à ligação dos lipídeos com a membrana celular das bactérias fibrolíticas, dificultando assim a absorção denutrientes. Além disso, é descrita a possibilidade das gorduras cobrirem as partículas dos alimentos e inibira colonização e digestão dos carboidratos (Santos &Almstanden, 1991).

É importante destacar que os efeitos indesejáveis descritos acima estão mais estreitamente relacionados com perdas econômicas do que sanitárias. Isto se deve ao fato de o primeiro impacto ser a diminuição do desempenho e, apenas após, a apresentação patogênica dos distúrbios metabólicos. A sincronização na degradação de fontes de proteína e carboidratos pode levar a uma maximização da eficiência microbiana e em conseqüência elevação no desempenho (NRC, 1996). Os parâmetros de degradabilidade ruminal da matéria seca (MS) dos diferentes suplementos são apresentados na Tabela 5. Observam-se os menores valores (P<0,01) de degradabilidade potencial e degradabilidade efetiva da MS, para as diferentes taxas de passagem de sólidos, para o suplemento OLE e as maiores para o suplemento AMI e intermediárias para A.

O desempenho animal pode estar correlacionado com a característica de degradação registrada. A elevada taxa de degradação da MS pode não ser benéfica, pois gera distúrbios metabólicos, como discutido anteriormente. Este fato observado para o suplemento à base de AMI pode ser um dos responsáveis pelo baixo desempenho observado, já que nenhum tipo de controlador de fermentação foi utilizado. Por outro lado, a menor degradabilidade da MS do suplemento que continha OLE pode não ter fornecido quantidades adequadas de carboidratos e proteínas fermentáveis, sendo que este fornecimento parcial, refletiu em menores ganhos de peso.
 
Já o suplemento A, o qual proporcionou melhor ganho de peso dos animais, pode ter oferecido melhores condições para uma fermentação ruminal relativamente mais equilibrada e em conseqüência ter afetado positivamente o desempenho. Diante da característica de desempenho registrada em ambos os níveis de suplementação e nos diferentes suplementos concentrados, fica aparente que a combinação de diferentes fontes alimentares distribuiu os nutrientes, de modo que não sobrecarregou os sítios de digestão e absorção, e, conseqüentemente, promoveu maior aporte nutricional ao animal, resultando em melhor desempenho.

Outro resultado com efeito significativo (P<0,01) foi o nível de suplementação (Tabela 4). Os animais que receberam 1,4% do peso vivo apresentaram maior desempenho. O grande propósito, já que se espera maior desempenho em níveis tão distintos de suplementação, é avaliar o diferencial de desempenho e seu impacto no sistema de produção. Os ganhos médios diários foram 489 e 634 g/animal/dia para os níveis 0,7 e 1,4% do peso vivo, respectivamente. A diferença entre os níveis de suplementação gerada pelo consumo de 2,91 kg de concentrado, a mais, foide 145 gramas de peso vivo/dia.

Ficou demonstrado que o aporte de aproximadamente 2,2 kg de NDT fornecidos a mais, refletiu numa superioridade de 29,65% no desempenho, para os animais suplementados com o maior nível. Em simulação, utilizando-se o NRC (1996), a diferença para bovinos consumindo este nível a mais de NDT seria de 67,27%. Este fato evidencia que houve substituição, isto é, unidade trocada da forragem consumida por unidade da suplementação fornecida (Pordomingo etal., 1991) do NDT da pastagem pelo do suplemento. Provavelmente, esta substituição reduziu de forma drástica o volume energético diferencial fornecido aos animais em suplementação de 1,4% do PV. Apesar de não ter sido efetuada mensuração direta de consumo de forragem e, conseqüentemente, de eventuais substituições, observou-se que o diferencial entre o desempenho dos animais suplementados nos níveis de suplementação 0,7 e 1,4% do PV reduziu expressivamente com a melhoria da qualidade do capim. A elevação na qualidade nutritiva da forragem pode ser observada na elevação residual de lâminas verdes apresentada na Tabela 6.
 
Fonte: Antônio Chaker

Diante destes fatos, possivelmente, houve efeito de substituição como esperado e demonstrado por diversos autores (Mooreet al., 1999; Ribeiro, 1999; Thiago, 1999). A disponibilidade de forragem está diretamente relacionada com a produção por animal. Quanto maior for a disponibilidade maior será o ganho individual até um limite de equilíbrio.

Por outro lado, em condições de sub pastejo, a dieta selecionada será de baixa qualidade nutricional. Nestas condições, o alongamento do caule, o avanço do estádio fenológico das espécies e a reduzida ou ausente propriedade de rebrote das plantas fazem com que os animais tenham à sua disposição grande proporção de material forrageiro de baixa qualidade nutricional, sendo obrigados a consumi-los, por questão de sobrevivência(Maraschin, 1994).

Na Tabela 6, encontram-se os níveis residuais de matéria seca para as diferentes frações da forragem. Observou-se crescente oferta de lâminas verdes a partir do mês de agosto, a qual se estabiliza no mês de dezembro. É importante destacar que os níveis residuais apresentados para o mês de julho não apresentaram impacto sobre o desempenho animal, haja vista que logo após a amostragem as características se modificaram devida incidência de geadas. Observou-se que, na maior parte do experimento, os teores protéicos estiveram abaixo de 7,00%, nível mínimo para a atender a demanda de nitrogênio exigido pelas bactérias ruminais. Os teores médios de PB e DIVMS durante o período experimental foram de 6,04 e 51,32%, respectivamente, refletindo baixa qualidade média da forragem neste período.

A produção por animal é constante até atingirem um ponto crítico de oferta de forragem, e além deste ponto o ganho por animal é inversamente relacionado com a lotação. Por outro lado, o ganho por área aumenta linearmente com a lotação, até o ponto crítico e diminui linearmente com maiores aumentos da lotação (Mott & Lucas, 1952). Diante destes fatos, pode-se inferir que o comportamento do desempenho no decorrer dos períodos esteve diretamente relacionado com a disponibilidade de lâmina e matéria seca verde nos períodos experimentais.

Os períodos apresentaram efeito significativo(P<0,01) sobre o desempenho animal, porém, a interação período e suplemento não foi observada. O desempenho em função do período é apresentado na Figura 1. Em razão de os animais suplementados no nível de 1,4% do peso vivo terem sido encaminhados ao abate no início do mês de dezembro, a aferição do desempenho destes animais neste mês não foi possível, conforme podemos observar na Figura 1. Houve efeito quadrático (y = -0,51583 0,6045x -0,006982x2) e linear (y = 0,006651 0,251515x) para o GMD dos animais no período paras os lotes suplementados com 0,7 e 1,4% do peso vivo, respectivamente. A evolução da pecuária de corte está estreitamente relacionada com a redução de idade ao abate.

Tecnologias nutricionais, bem como melhoramento genético, estão em constante busca da redução da idade ao abate. Além da melhora na qualidade da carne, a redução da idade ao abate, muitas vezes, traduz redução de custos e conseqüente elevação no resultado econômico da exploração. Adiantamento de capital e liberação de áreas de pastagem são vantagens diretas, quando se reduz a idade ao abate. Normalmente, as estratégias nutricionais são aplicadas no inverno, promovendo o abate dos animais ainda no período de entres safra. Apesar de não ser significativa como em anos anteriores e, possivelmente, não existir, no futuro, o diferencial do valor da@ do animal comercializado neste período ainda pode ser observado. Os dados referentes ao dias de suplementação para o abate são apresentados na Tabela 7.

Elevadas diferenças quanto aos dias de suplementação necessárias para o abate dos animais(DPA) foram registradas. Observou-se maior diferencial, correspondendo a 79 dias para o abate entre os animais suplementados com AMI em nível de 0,7% do PV (205 dias) e A em nível de 1,4% do PV (126 dias). Para ambos níveis de suplementação, as maiores diferenças foram entre os animais suplementados com AMI e A. Estas diferenças observadas foram de 48 e 30 dias para os níveis de suplementação 0,7 e 1,4% do peso vivo, respectivamente. Considerando o menor nível de suplementação(0,7% PV), onde o período médio de suplementação para AMI foi de 205 dias, a utilização do suplemento A reduziu a idade ao abate em 23,41% e o suplemento rico em óleo (OLE) reduziu em 3,9%. Para o nível de 1,4% do PV, a redução de dias para o abate para os animais suplementados com A quando comparado aos animais suplementados com AMI e OLE foi 30 e 21 dias ou 19,23% ou 14,28%,respectivamente.
 
Fonte: Antônio Chaker
 
Fonte: Antônio Chaker

A diferença entre AMI e OLE foide 5,77% sendo necessário para o abate dos animais suplementados com AMI 9 dias a mais. Quando se avaliaram individualmente os suplementos entre os dois níveis de fornecimento, observou-se que a suplementação de 1,4% do PV reduziu os dias para abate em 49, 50 e 31 dias para os animais suplementados com AMI, OLE e A, respectivamente. Considerando que a menor quantidade de dias para abate foi registrada para o lote suplementado com A a 1,4% do PV, e que o menor diferencial entre os dois níveis de suplementação foi para este suplemento, observou-se maior eficiência de utilização do concentrado A fornecido a 0,7% do PV, quando comparado aos demais suplementos nos diferentes níveis. O desempenho produtivo é explicado por eventos biológicos e suas interações com o meio ambiente.
 
Fonte: Antônio Chaker


De outra forma, o resultado econômico depende da interação entre a resposta biológica e os parâmetros de mercado, isto é, valores de insumos e de venda do animal. Como estes parâmetros de mercado se apresentam em constante flutuação, grande parte dos autores opta em não inferir economicamente sobre os resultados de seus trabalhos. Por outro lado, o desenvolvimento científico direta ou indiretamente visa a aplicação prática.

Esta, por sua vez, é utilizada de acordo com a resposta econômica gerada e seu impacto no faturamento e rentabilidade da empresa. Dessa forma, optou-se por avaliar economicamente os tratamentos do presente experimento, a fim do mesmo servir de balizamento para aplicação prática da tecnologia avaliada. Vale destacar que avaliação econômica foi pautada no diferencial gerado pela suplementação e não pelos valores absolutos obtidos. Para avaliação dos parâmetros econômicos, além do ganho direto gerado pelo desempenho adicional dos animais, foram considerados os ganhos indiretos.

A Tabela 8 apresenta os valores econômicos obtidos nos diferentes tratamentos e níveis de suplementação. A avaliação foi elaborada para 1 animal, aplicando-se a média dos resultados do suplemento fornecido e nível de suplementação em questão. Dentre os valores obtidos, o único afetado pela escala é o valor presente líquido (VPL), os demais permanecem inalterados.

Observou-se que em ambos os níveis de suplementação, o pior resultado foi para o suplemento rico em amido. O maior custo diário e menor ganho foram responsáveis pelo prejuízo gerado pelo referente tratamento. O suplemento OLE apresentou o menor custo diário (Tabela 3), por outro lado, este fato não foi suficiente para gerar o maior resultado econômico. ATIR de 6,95 e 2,99% obtida para os níveis 0,7 e 1,4%do PV são suficientes para a suplementação com OLE ser colocada em prática.
 
A suplementação com A, ao contrário do AMI, apresentou, em ambos os níveis de suplementação, elevado resultado econômico. Isto se deve, principalmente, ao ganho médio diário(GMD) promovido por esta suplementação. Outro importante dado econômico apresentado na avaliação é que os melhores resultados foram obtidos no menor nível de suplementação. Isto representa que os maiores ganhos médios diários promovidos quando o fornecimento de concentrado foide 1,4% do PV teve eficiência econômica inferior à suplementação de 0,7% do PV.
 
Fonte: Antônio Chaker


Conclusões

A suplementação com concentrados compostos pela mistura de alimentos ricos em amido (milho) e óleo(caroço de algodão) proporcionou melhor desempenho dos animais, do que quando suplementados separadamente com as respectivas fontes, independentemente do nível de suplementação. O maior nível de suplementação (1,4% do PV) apresentou eficiência econômica inferior, quando comparado ao menor nível(0,7% do PV).